Wine'01
o beabá do mundo dos vinhos
O Pedido de Salvaguarda e o Preconceito Nacional
Publicado por em 08/05/2012
Muito se tem falado e polemizado a respeito do pedido de salvaguarda do setor vinícola brasileiro apresentado ao Ministério da Indústria e Comercio em meados de março deste ano.
A primeira impressão era a de que se tratava de uma medida autoritária de poucos e grandes grupos vinícolas nacionais que se sentiriam “ameaçados” pela invasão cada vez maior de rótulos estrangeiros no mercado brasileiro. Falava-se em dobrar a tributação dos importados – o que gerou grande revolta por parte das empresas importadoras, que seriam as principais prejudicadas.
Em resposta, houve medidas de retaliação por parte de sommeliers e proprietários de restaurantes que decidiram retirar das suas cartas de vinhos os rótulos nacionais. Tal medida incomoda muito os produtores brasileiros que disseram não ter envolvimento e tampouco interesse em apoiar tal pedido de salvaguarda. Ela seria autoria de órgãos institucionais como IBRAVIN e FECOVINHO.
O que as vinícolas brasileiras realmente reclamam é uma redução ou isenção de impostos de “subprodutos” que aumentam o preço final da bebida, como ocorre, por exemplo com o custo de rolhas, garrafas e barris de carvalho. E o argumento mais sólido é, a meu ver, o de que o vinho é produto fiscalizado como um alimento normal em sua produção, porém sofre tributação tão alta como cigarros e destilados.
Seja por uma moeda forte – o real – ou por um Brasil em crescimento que é cada vez mais visto como um ator no mercado global, o fato é que hoje encontramos opções de rótulos de vinhos como nunca antes visto. E os brasileiros passaram a ter o vinho como algo cada vez mais presente no cotidiano. E não queremos que isso mude.
Vinho mais caro – seja ele nacional ou importado – não interessa a ninguém. Os maiores prejudicados são os consumidores. A política de sobretaxar o importado em prol do produto nacional pode não ser a melhor saída. Incentivar, através de subsídios, os viticultores brasileiros parece ser a medida mais sensata que também estimulará o crescimento do setor.
Cabe também ao consumidor quebrar certos tabus e perder o preconceito com o vinho nacional. A má fama dos vinhos de mesa parece alastrar-se pelo universo dos vinhos finos – de variedades viníferas. Além disso, as pessoas precisam conhecer as vinícolas que ainda não inundam as prateleiras dos supermercados. O vinho tupiniquim é mais do que meia dúzia de grandes marcas.
A mesa do brasileiro apreciador de vinho deve ser eclética, onde um Champagne, um Cabernet de São Joaquim, um Malbec de Mendoza e um refrescante espumante de moscatel do Vale do São Francisco dividam as atenções ao longo de um jantar.
Artigo publicado originalmente na Revista Vinícola (p. 50)
Menu francês com vinhos brasileiros
Publicado por em 15/03/2012
Normalmente ocorreria o inverso, provar um menu degustação de comida brasileira com vinhos franceses… mas porque não inovar?
Para os que acompanharam aqui o artigo sobre vinhos paranaenses de Toledo, esta é a oportunidade de prová-los em um charmoso bistrô francês no Alto da XV, em Curitiba.
No dia 20 de março, será servida uma degustação, com acento francês, de 5 passos acompanhados por 4 vinhos da vinícola DEZEM: um espumante, um branco e dois tintos.
O valor do jantar, com os vinhos incluídos, é R$ 92,00 por pessoa (+10% serviço).
São apenas 40 lugares disponíveis para o evento. As reservas devem ser feitas pelo 3086 0597.
Serviço: http://www.lysbistro.com/
Curso de Introdução aos Vinhos
Publicado por em 12/03/2012
O gosto pelo vinho no mercado brasileiro se popularizou recentemente. No entanto, ainda existem muitos tabus e preconceitos de consumo. É papel do sommelier familiarizar o consumidor desta bebida…

Um curso que, de maneira fácil e objetiva, busca aproximar as pessoas do fascinante mundo dos vinhos.
Através de exposições audiovisuais, debates e degustações se buscará desmistificar a idéia de que conhecer e desfrutar de um bom vinho seja algo esnobe.
Para o programa do curso, clique aqui.
Serão degustados mais de 20 rótulos de todo o mundo, além de aula especial de harmonização com queijos e laboratório de aromas.
Data de início: 22/mar/2012
Duração: 6 encontros as quintas-feiras (22 e 29/mar, 12 e 19/abr, 3 e 10/mai)
Horário: 19h00 as 21h30
Local: Grand Cru | Rua Pasteur, 90 | Batel, Curitiba, PR
Investimento: R$ 400,00 (2 x 200,00 ou 10% desc `a vista)
Inscrições: wgabardo@gmail.com | 41 9800 2032
Vagas limitadas: máximo 14 pessoas
Merlots Brasileiros
Publicado por em 01/03/2012
Continuando a saga dos vinhos nacionais, desta vez provamos três Merlots, sendo dois do Rio Grande do Sul e um de Santa Catarina.
Os vinhos provados, na sequência:
Agnus Merlot 2008, Lídio Carraro, Encruzilhada do Sul, R$30,00
Pizzato Merlot 2008, Pizzato, Vale dos Vinhedos, R$32,00
Suzin Merlot 2009, Suzin, São Joaquim, R$35,00
Bom proveito!
Chardonnays Gaúchos
Publicado por em 10/12/2011
Bem vindos a mais uma “videogustação”!
Desta vez, provei 2 Chardonnays sem passo por madeira, ambos do Rio Grande do Sul.
O Pizzato Chardonnay 2010 (R$ 32,00) do Vale dos Vinhedos e o Dádivas Chardonnay 2010 (R$38,00) da Lídio Carrarro, vinícola de Encruzilhada do Sul, na serra do sudeste gaúcho.
A seguir, minha análise dos vinhos e algumas sugestões de harmonizações. Bom proveito!
Em breve mais videogustações, com convidados, de vinhos brasileiros da safra 2011, ainda não lançados no mercado.
Até mais!
Cabernets e São Joaquim
Publicado por em 29/11/2011
A Cabernet Sauvignon parece gostar do clima e do solo de São Joaquim.
Nesta degustação, realizada no Lys Bistro em Curitiba, tivemos a oportunidade de provar dois vinhos feitos partir desta uva, provenientes da Serra Catarinense.
O primeiro, da Vinícola Suzin, revelou ser um vinho suculento, redondo em boca e bem equilibrado. Daqueles que faz salivar bastante e dá vontade de tomar outro gole em seguida.
O segundo, da Cooperativa Sanjo, encorpado e de taninos firmes, mostrou-se jovem e ainda ter muitos anos pela frente. Um Cabernet que pede um bom prato de cordeiro ou javali para ser disfrutado.
Ambos os vinhos com a dose de madeira na medida certa e de estilos bem diferentes.
Confira como foi a prova destes deliciosos caldos no vídeo a seguir:
Agradecimentos: Lys Bistro e D.O.C. Vinhos
Onde encontrar: http://www.emporio4estacoes.com.br/
Em breve, mais vídeos e novas degustações!
Serra Catarinense
Publicado por em 18/11/2011
A próxima vez que você for a São Joaquim na esperança de ver neve cair algum dia e ela nunca chegar, não fique frustado. O melhor passa-tempo para não passar frio é tomar vinho.
Assim como o interior do Paraná, a Serra Catarinene também produz vinhos! Surpreendente não?
Hoje em dia, a produção de vinhos finos no Brasil não se limita apenas ao Vale dos Vinhedos no Rio Grande do Sul. Nos últimos anos, novas regiões vinícolas têm lançado vinhos de excelente qualidade. Vinhos que, as cegas, poderiam ser confundidos facilmente com um bom rótulo sulamericano ou europeu.
São Joaquim, junto com Caçador e Campos Novos, constituem as principais regiões onde são plantados os vinhedos mais altos do país. A altidude, aliado a temperaturas amenas e chuvas na época certa, fazem da famosa região serrana mais fria do país um ótimo terroir para produção de uvas viníferas de qualidade.
Lá se produz de tudo: espumantes, brancos, tintos, rosados, e até vinhos doces inspirados no famoso Sauternes (como o botritizado da Villa Francioni) e Icewine (da vinícola Pericó) que, até então, só dava certo em países de inverno rigoroso como Canadá e Alemanha.
O perfil dos produtores é bastante eclético. A região conta com a cooperativa SANJO (conhecida pela produção de maçãs), pequenos e engajados produtores como Suzin e Villagio Basseti, e até o majestoso e caro projeto vitivinícola da Villla Francioni. Diferentes na sua estrutura, mas com um objetivo em comum: produzir bons vinhos e afirmar o nome da região num mercado brasileiro tão dominado por produtos importados.
Durante a visita que fiz a estas terras, me chamou a atenção a (re)valorização dos vinhos rosados, muitas vezes menosprezados. Bem feitos, desprentenciosos, como o da Villagio Bassetti, são vinhos super frescos, fáceis de tomar, com estilo inspirado nos rosés franceses da Provence.
Outra tendência observada foi a produção de Chardonnays equilibrados e, o mais importante, DESamadeirados, realçando a fruta e o frescor, como os brancos da Abreu Garcia e Monte Agudo.
Com respeito aos tintos, os produtores tem se inclinado a fazer vinhos a maneira de Bordeaux – em sua maioria cortes de cabernet sauvignon e merlot – saborosos, concentrados, com potencial de guarda e que pedem um bom jantar para acompanhar.
Ficou com vontade de provar?
Em breve estarei postando videos de degustação destes vinhos, assim como dicas de onde encontrá-los!
Aguarde…
Veja também:
ACAVITIS – Associação Catarinense dos Produtores de Vinhos Finos de Altitude: http://www.acavitis.com.br/
Vinhos de Toledo
Publicado por em 10/09/2011
Não, não é Toledo na Espanha, é interior do Paraná.
Não só de Porco no Rolete vive esta cidade que tanto inspirou o desenvolvimento do turismo gastronômico no interior do Paraná. Agora eles também fazem vinhos.
Fui surpreendido na última degustação a cegas com os vinhos da DEZEM, um novo projeto de fazer vinho na fértil terra roxa paranaense, algo antes talvez impensado.
A vinícola desenvolveu 3 linhas de vinhos: Magne, Extrus e Atmo, cada uma representando um elemento da natureza: terra, água e ar – considerados determinantes no “terroir” dos vinhos.
A seguir, algumas impressões do que foi provado:
Magne Malvasia 08
Eu costumava achar aroma de Torrontés inconfundível até provar esse vinho a cegas.
Super aromático, floral e com lichia gritando na taça.
Em boca frutadíssimo, gostoso… talvez se fosse um pouco mais ácido seria melhor ainda. Aprovei.
(Difícil encontrar vinho branco brasileiro de boa relação custo-benefício por menos de 20 reais).
Atmo Chardonnay 05
Logo que serviram a taça imaginei estar em frente a um chardonnay bombado com madeira ou um vinho com oxidação. Eram ambos!
Em nariz a madeira reinou: coco, cravo, manteiga (pensei que fosse carvalho americano!) e talvez uma fruta bem passas láaa atras…
Em boca, como era de se imaginar, pouca fruta. Madeira ainda invasiva. Alcool e acidez um pouco descolados do vinho.
Imagino que passou o melhor momento de prova-lo. (A vinícola parece ter lançado uma safra nova, 2010).
Extrus Cabernet Franc 09
Esse vinho também foi uma grata surpresa. Desde que virei crente da mineralidade, passei a encontrá-la mais seguido em certos vinhos. E este tinha um pouco desse cheiro (não tão) abstrato de grafite e pedra molhada. Além disso, super frutado e com algumas notas de especiarias.
Em boca foi bastante seco, ótima acidez, taninos suaves. Um vinho suculento, ideal para a comida mas também bom para tomar sozinho, o que considero uma qualidade importante.
Os vinhos oscilam entre 15 e 35 reais, super justo. Uma boa oportunidade para tomar gosto pelo vinho brasileiro.
Degustação de vinhos doces
Publicado por em 05/09/2011
Os vinhos doces possuem uma importância histórica e económica para diversos países produtores. É o caso dos vinhos do Porto e Madeira para os portugueses, o Tokaji para os húngaros, o Jerez doce para os espanhóis e os Sauternes para os franceses.
São vinhos mais complexos na sua vinificação e que há séculos são elaborados da mesma maneira. Estes saborosos caldos agradam muito ao paladar e são versáteis ao harmonizar não apenas com sobremesas como podem ser o par perfeito para certos queijos.
Nesta degustação teremos a oportunidade de provar diferentes tipos de vinhos doces, provenientes de diversos países. Conheceremos os processos de elaboração dos vinhos Colheita Tardía, bem como os tradicionais vinhos do Porto e Madeira
Quando: 17/Set (sábado) | 16h00
Onde: Vino! | Comendador Araújo 970 Curitiba
Investimento: R$ 65,00
Reservas: wgabardo@gmail.com | 41 9800 2032
Vagas limitadas.
Questões de gosto: De onde vem o aroma do vinho?
Publicado por em 26/08/2011
Quando ensino a principiantes sobre vinhos, ouço o comentário de algum aluno bem humorado que adora reforçar o cliché simplista de que todo vinho tem cheiro de uva. Tem mesmo? Todos os vinhos?
Se todos cheirassem o mesmo – a uva – talvez rapidamente ficaríamos entediados de provar vinhos de diferentes uvas e regiões do mundo.
Passado um tempo, esse mesmo aprendiz, o difusor do clichê, acaba descobrindo que os vinhos podem ser muito complexos e diferentes entre si, e apresentar aromas de outras frutas, ervas, especiarias, doces e não apenas de uva.
E surge a (clássica) questão:
Elabora-se o vinho com frutas para que ele tenha esses aromas “frutados”?

Essa inquietante pergunta já me foi feita diversas vezes, motivo pelo qual decidi escrever algo a respeito.
Antes de mais nada, essa pergunta não é tola, pois segue um raciocínio lógico: como um vinho pode cheirar a pêssego se não misturaram a fruta para dar um gostinho? Pode misturar?
Não. Ao contrário das cervejas, os vinhos não podem ser adicionados de nenhum tipo de fruta ou erva. Tal prática é proibída por lei em qualquer país produtor no mundo.
Hoje não pode, mas antigamente sim.
Costumava-se consumir vinho misturado com mel, ervas e inclusive água do mar. Segundo os gregos, esta era a maneira civilizada de consumir a bebida. Tomar vinho puro (ou cerveja) era coisa de bárbaros.
Na Idade Média, os vinhos eram adulterados com frutas do bosque para reforçar a cor e o sabor em virtude da baixa qualidade de muitos caldos comercializados na época. No entanto, quando descobriram, proibiram.
Então, se não se pode adicionar nada, de onde vêm todos esses aromas?
Os aromas podem ser próprios da variedade de uva e estão concentrados sobretudo na pele e na polpa da fruta. Na uva Cabernet Sauvignon, por exemplo, é comum encontar cheiro de jabuticaba e de pimenta negra (!), por causa de uma substância chamada piracina encontrada em abundância nessa variedade, mais do que em outras. Na Malbec se encontra muito o aroma de ameixa preta; a Pinot Noir origina vinhos com aromas a cereja, assim como muito Chardonnay = cheiro de Abacaxi, e Sauvignon Blanc = Maracujá.
Existem também cheiros resultantes da fermentação – um processo químico – que gera aromas, uns mais voláteis que outros. O exemplo clássico é o de Banana.
Além disso, aromas podem ser transmitidos pela madeira, no caso de vinhos com envelhecimento em barril. E aqui a questão fica mais complexa já que, segundo o nível de tostado do barril (o quanto se queima a madeira por dentro), e a proveniência do carvalho (se é francês, americano, português ou húngaro) os aromas transmitidos ao vinho são diferentes. E aqui entra Baunilha, Côco, Caramelo, Chocolate, Tabaco, entre vários outros.
Finalmente, os vinhos de guarda – aqueles aptos para envelhecer – mudam com o passar do tempo dentro da garrafa. E os seus aromas também mudam devido a reações químicas que o vinho sofre pelo contato lento com oxigênio que penetra através das rolhas. Esses seriam, digamos, os aromas mais inesperados de se encontrar num vinho: couro, folha/extrato de tomate, humidade e por aí vai…
A identificação destes aromas acaba sendo, muitas vezes, um exercício de tentativa e erro. Em certos casos os aromas são óbvios e descobrimos facilmente através da nossa memória olfativa. Em outros, é um pouco mais difícil de “acertar” os cheiros. Acertar entre aspas porque a análise olfativa sempre é muito subjetiva. Não existe uma verdade absoluta acerca dos cheiros. De repente, o que para mim é maracujá, para Fulano é carambola e para Ciclano é graviola. O meu caramelo para você é tooffe e para o outro, doce de leite. Travar uma discussão em torno de quem tem a razão acaba sendo improdutivo. Há que pensar que talvez esses aromas sejam bastante parecidos e digam algo sobre o vinho provado. Tem cheiro de frutas cítricas e tropicais ou tem aromas de açucar tostado. Aí, talvez, entramos todos em um consenso.
Ao contrário das cores, que na marioria das vezes são absolutas – isso é vermelho, aquilo é laranja e aquele outro, roxo – os aromas acabam sendo um pouco mais abstratos e as impressões de cada um dificilmente serão idênticas.
O importante é que as pessoas se animem a descobrir o quão interessante pode ser um vinho pelos seus aromas.
Obs. o curioso disso tudo, é que o aluno que antes dizia que o vinho tinha cheiro de uva, no final do curso está descrevendo tantos aromas que nem eu mesmo sinto.




