Tropicalizando a paleta aromática

Com o intuito de organizar e orientar as pessoas na hora de descrever os aromas encontrados no vinho, cientistas da Universidade de Davis, na Califórnia, criaram uma roda de aromas que resume e agrupa em famílias os possíveis odores percebidos na bebida: frutados, florais, de especiarias, vegetais e até animais, entre outros.

Como se faz vinho em diferentes lados, a idéia foi buscar padronizar os descritores, para que as pessoas se entendam e possam ter uma idéia de como é determinado vinho seja ele argentino, alemão ou grego. Na teoria funciona muito bem ja que serve de ferramenta de aprendizado na hora de interpretar e comunicar uma bebida.

No entanto, esses aromas foram identificados por narizes norteamericanas cuja memória olfativa é naturalmente, diferente da nossa. Me explico: provar um vinho e dizer que tem notas a arandos (blueberry), alcaçus (regaliz) e trufas brancas não explica muito, não é?

A primeira situação conflituosa que passei foi quando, durante uma degustação a cegas na escola, encontrei uma nota de pitanga em um vinho branco que me entusiasmou. Jamais pude convencer a minha professora – argentina – menos ainda meus colegas de classe – também hermanos – de que eu tinha gostado tanto daquele vinho porque ele cheirava uma frutinha laranja que eles jamais tinham visto ou provado na vida. Outra vez a polêmica foi a goiabada que para ellos era dulce de membrillo. Até mesmo o abacaxi percebido em algum Chardonnay, para mim, honestamente, estava verde demais ou não era abacaxi, mas sim, carambola.

Na hora de explicar um vinho temos que ter cuidado. O que é claro pra alguns, pode não dizer nada para outros. Usar termos difíceis, descritores “sofisticados” não ajuda em nada. Só reforça a fama de esnobe dos enochatos.

Eu sou a favor de tropicalizar a paleta aromática. Não vejo porque seguir a risca os descritores padronizados. Acho muito mais gostoso provar um vinho que nos faz lembrar pitanga, goiaba, carambola ou banananinha seca !

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2 comentários sobre “Tropicalizando a paleta aromática

  1. Estimado Wagner: Estoy de acuerdo con vos. No se pueden generalizar los aromas de los vinos. Siempre lo precederá la memoria olfativa de cada persona. Creo que al hablar de los vinos, como decis vos, hay que tener mucho cuidado no solo hay que tener en cuenta los recuerdos particulares de cada persona sino tambien la informacion que puedan o no tener en la materia… nunca falta el sabelotodo que quiere un champagne de mendoza…???? En fin…a seguir degustando y yo te creo ese blanco tenia aroma a pitanga!!! jaja

  2. Super interessante!
    Não sabia que existia uma forma de sistematizar a descrição dos vinhos. Achei válido e gostei da roda de aromas. Agora, realmente, não dá prá usar isoladamente. É preciso considerar o repertório de cada um, como vc bem ilustrou com o exemplo da pitanga.
    Estou aprendendo bastante com o blog!

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