Orgânico, Natural ou Biodinâmico?

Hoje em dia estamos acostumados a encontrar na feira e nas gôndolas do supermercado alimentos orgânicos, verduras hidropônicas, produtos sem gordura hidrogenada ou conservantes. E muitas vezes estamos dispostos a pagar mais por isso. Temos a súbita sensação de segurança de que estaremos consumindo um produto de melhor qualidade e que não causará danos a nossa saúde.

Até mesmo os restaurantes mais badalados já tem sua própria horta, ovos de galinhas criadas no quintal dos fundos e compram apenas produtos frescos, regionais e sazonais, difundindo/levantando a bandeira da gastronomia sustentável. Afinal, em tempos de Rio+20, tudo que for sustentável é bom e está na moda.

Mas e o vinho? Este fermentado de uvas precisa de alguma dessas certificações para ser melhor ou não causar danos a saúde? Não necessariamente. Diversos estudos comprovam os benefícios que esta cultuada bebida tem para nossa saúde, sobretudo ajudando a prevenir problemas cardiovasculares – que todas aquelas comidas carregadas de conservantes e gorduras hidrogenadas/saturadas/salgadas tendem a provocar.

A novidade é que esta corrente “natureba” parece ter contaminado o mundo vinícola. Cada vez fala-se mais sobre vinhos orgânicos, naturais e biodinâmicos e alguns destes termos já podem ser encontrados nos rótulos dos garrafas. Os produtores adeptos destas filosofias de trabalho defendem que isso impacta o resultado final do vinho, tornando-o melhor. Ao meu ver, ajuda a vendê-lo, sobretudo num mercado onde as opções disponíveis são muitas e o conhecimento do público consumidor ainda é escasso. Com 6 Cabernets diferentes a sua frente em uma prateleira, qual você escolhe? O mais barato, a garrafa mais bonita, ou aquele que diz orgânico?

Mas afinal, o que todas estas expressões significam?

Vinhos orgânicos: dito desta maneira está incorreto. Na maioria dos casos, quem recebe a certificação orgânica é vinhedo e as uvas e não o seu subproduto – o vinho. Neste cultivo usam-se doses mínimas ou nenhum agrotóxico – quando possível – e a adubação do solo do solo é 100% natural, sem o uso de fertilizantes químicos industrializados que induzam o crescimento das plantas. É uma das práticas mais comuns e viáveis atualmente. Porém não se engane pensando que vinhedos com tratamentos químicos não produzirão vinhos bons. Ou deixe de tomar vinhos de Bordeaux. Devido a alta umidade desta mítica região francesa, são necessárias diversas aplicações de fungicidas – a base de cal e sulfato de cobre diluídos em água – para que as uvas não apodreçam. Tal mistura é conhecida como “caldo bordalês” e é prática comum na viticultura mundial.

Vinhos biodinâmicos: você já deve ter ouvido falar que cortando o cabelo na lua crescente este cresce mais rápido; já na lua cheia crescerá com mais vigor. Ou ao invés de tomar antibióticos, já provou aquele infalível chá da sua vó que leva boldo, alho, linhaça e azeite de fígado de baleia para curar a bronquite. É mais ou menos assim que funciona a viticultura biodinâmica. Com base nas fases da lua e movimento dos astros que se decide quando se poda a videira, quando se colhe, e jamais se aduba ou se trata qualquer doença no vinhedo com produtos que não sejam naturais e que não envolvam uma mistura exótica de ingredientes aplicados de maneira muitas vezes ritualizada. Nesse caso a elaboração do vinho também requere cuidados especiais, como fermentação unicamente com leveduras autóctones – da própria uva – e o uso de clarificantes naturais, como a clara de ovo, por exemplo. Interessante, não? E trabalhoso. Na Patagônia argentina, têm se produzido vinhos biodinâmicos muito bons, ainda que o preço seja pouco acessível.

Vinhos naturais: os mais atentos devem alguma vez ter lido no verso da garrafa a seguinte expressão: “Contém Sulfitos”. Conhecido como SO2 no linguajar enológico, doses limitadas desta substancia são fundamentais para garantir a estabilidade microbiológica do vinho. Os sulfitos tem uma ação antioxidante e antiséptica que impedem que o vinho estrague de uma hora para a outra. O uso desta substancia é amplamente difundido e parece ser essencial durante o processo de elaboração. Não para alguns poucos e ousados produtores que tem feito por aí vinhos sem qualquer adição de SO2, nem mesmo um soprinho logo antes de engarrafar. O resultado? De todos os citados antes, este tipo de vinho parece gerar opiniões mais controversas quanto a sua qualidade. Alguns muito bons, outros, nenhum pouco. Muitos enólogos afirmam ser impossível produzir um vinho sem adicionar um mínimo de sulfito para que este não vire vinagre.

Tive a oportunidade de provar alguns vinhos destas correntes. Confira na pagina do facebook as minhas impressões.

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