O vale do majestoso rio Tejo

Quando pensamos em vinhos de Portugal imediatamente nos lembramos dos famosos vale do Douro, Porto e Vinhos Verdes. Logo mencionamos o Alentejo e suas extensas Herdades, cujos caldos se popularizaram no mercado brasileiro de forma rápida e recente. Mas a região logo acima desta, no coração do país lusitano, ainda nós é pouco conhecida. Saberia dizer a qual me refiro?

Entre olivares e abundantes bosques de sobreiros, árvore cuja cortiça se extrai o material para elaboração das rolhas, os vinhedos do Tejo revelam-se encantadores. Não só de rolhas se move a economia vitícola da região. Ali também são feitos belos vinhos.

Detalhe da cortiça do Sobreiro, abundante nos bosques da região do Tejo

Detalhe da cortiça do Sobreiro, abundante nos bosques da região do Tejo

Antes conhecida como Ribatejo, o vale foi rebatizado com o nome do rio Tejo que divide Portugal em dois. Divisão esta que é notável no estilos dos vinhos produzidos em cada parte do país.

Apesar do sul não gozar da tradição e do prestigio das regiões vizinhas do norte, a qualidade dos seus vinhos surpreende. E o mais atrativo é o custo benefício que estes oferecem.

Os vinhedos do Tejo estão espalhados ao longo de três sub-regiões: o Campo, o Bairro e Charneca – que circundam a bacia deste que é considerado um dos principais rios da península ibérica.

Dentre as uvas brancas, que se desenvolvem bem no Campo, a aromática Fernão Pires merece destaque. Como base de espumantes elaborados pelo método tradicional e em brancos secos aromáticos. Os aromas florais e à frutas tropicais desta casta tornam seus vinhos sedutores e fáceis de beber. Quando misturada com a casta Arinto, resulta em vinhos com maior acidez e uma leve mineralidade. As duas uvas parecem se complementar muito bem.

Já as tintas, plantadas em suaves colinas no Bairro e Charneca, lá amadurecem muito bem. Lideradas pela uva Castelão, as autóctones Trincadeira, Aragonez e Touriga Nacional compõem a base dos vinhos do Tejo. Mas elas compartilham hectares de terras com uma extensa variedades de castas internacionais autorizadas, dentre as quais a Cabernet Sauvignon e Syrah que demonstraram grande adaptação e já protagonizam vinhos varietais, uma afronta a tradição lusitana de misturar uvas.

Syrahs maduros, macios e corpulentos tem sido elaborados no Tejo

Syrahs maduros, macios e corpulentos têm sido elaborados no Tejo

Mas a manutenção do hábito de cortar castas – e neste caso, portuguesas com francesas – só faz bem aos vinhos da região. Resulta desde versões frescas e fáceis de beber a tintos potentes, elegantes e com longo potencial de guarda. Aporta complexidade e mostra a versatilidade do terroir do Tejo para distintas uvas. Demonstra também a filosofia de trabalho moderna dos produtores que evitam maquiar seus vinhos com sobredoses de carvalho, valorizando a fruta que amadurece tão bem por estas terras.

Os solos argiloso-calcários, os dias quentes e ensolarados na época de maturação e o clima seco com chuvas moderadas permitem com que a uva Syrah se expresse de forma plena. Traduz-se em vinhos de cor intensa, aromas frutados, condimentados, encorpados e ao mesmo tempo frescos no paladar.

Deve-se provar todos os vinhos, sejam eles Regionais ou DOP Tejo. A classificação difere pela graduação alcóolica mínima exigida e rendimentos máximos de mosto por hectare, sendo mais flexível no caso dos vinhos regionais. Porem, na hora da degustação, as diferenças qualitativas variam conforme o gosto de cada um.  O custo-benefício dos vinhos deve sempre ser considerado.

Para conhecer melhor o Tejo, sugiro:

Vale de Lobos (corte) branco perfumado, fresco com boa untuosidade. Herdade dos Templarios (corte) - tinto rendondo, fácil de gostar e beber. Quinta da Lapa Syrah - tinto encorpado, maduro, com traços de evolução, pede comida.

Vale de Lobos 2011 (corte, R$90) branco perfumado, fresco com boa untuosidade.
Herdade dos Templarios 2012 (corte, R$49) – tinto rendondo, fácil de gostar e beber.
Quinta da Lapa Syrah 2010 (R$73)  – tinto encorpado, maduro, com traços de evolução, pede comida.

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2 comentários sobre “O vale do majestoso rio Tejo

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