Um conceito inédito de vinhos para a mesa

O sommelier, além de ser responsável pelo serviço adequado dos vinhos, exerce um importante papel de comunicador da bebida. Deve estar preparado para esclarecer dúvidas comuns dos clientes, como momentos de consumo e sugestões de harmonização com a comida. Aliás, as harmonizações costumam ser uma das principais incertezas dos consumidores na hora de escolher um vinho. Fui convidado para um jantar, que vinho levo? Vou preparar uma paella, qual vinho melhor acompanha? Quando temos um profissional que nos orienta nas adegas e lojas especializadas a decisão de escolha do vinho é facilitada. Mas e na ausência de um? Pensando nisso, as renomadas sommeliéres argentinas Mariana Achaval (professora do IAG e CAVE) e Valéria Mortara (head sommeliere do hotel Faena Buenos Aires) desenvolveram uma linha de vinhos em parceria com o enólogo Marcelo Pelleriti (Monteviejo, Mendoza e Chateau Le Gay e La Violette, Bordeaux). Chama-se BIENCONVINO – Série Maridaje e trata-se de uma linha de quatro vinhos – dois brancos e dois tintos – com uma estratégia inovadora de comunicação com o consumidor. Maridaje, em espanhol, significa “Harmonização”.

Sommelières Mariana Achaval e Valéria Mrtara

Sommeliéres Mariana Achaval e Valéria Mortara

Ou seja, são vinhos pensados para a mesa, cuja estratégia de comunicação é pautada pelas sugestões de pratos que melhor acompanham cada rótulo. No rótulo frontal de cada garrafa, constam os pratos mais indicados para cada estilo de vinho elaborado: “Pollo & Cerdo” (frango e porco); “Pescados & Mariscos” (peixes e frutos do mar); “Pasta e Pizza” (massa e pizza) e “Carnes Rojas” (carnes vermelhas) acompanhados de ilustrações coloridas, extraídas de antigas enciclopédias, que tornam as garrafas ainda mais atraentes. No verso das garrafas, além das habituais uvas usadas da composição do vinho, o contra rótulo traz uma descrição simples e objetiva do estilo do vinho engarrafado. E para completar o conceito criativo da Bienconvino, inclui a receita passo a passo de um prato sugerido por Mariana Achaval (cozinheira de formação e ex-proprietária de restaurante), para acompanhar o vinho em questão.

A linha de vinhos Bienconvino revoluciona ao comunicar-se de forma clara, fácil e objetiva com o consumidor final. E o conteúdo atende as expectativas. São, de fato, vinhos feitos para a mesa, pelas mãos do talentoso e experiente enólogo mendocinos Marcelo Pelleriti. A aceitação dos vinhos pelo mercado é grande, e a partir da nova safra, estima-se dobrar a produção. Está previsto, ainda, o lançamento de um rosado que será o estilo de vinho recomendado para “Picadas”, ou tábuas de queijos e embutidos.

harmoniza

A seguir, uma breve descrição de cada um dos vinhos da linha, todos da safra 2014 e provenientes do Vale do Uco em Mendoza, degustados ao longo de um agradável bate-papo com Mariana Achaval, em Buenos Aires:

Bienconvino Serie Maridaje: Pescados & Mariscos: corte de Chardonnay e Torrontés é um vinhos extremamente aromático, onde se destacam aromas e sabores florais típicos da Torrontés e frutados maduros da Chardonnay. Tem bom corpo, e realmente pede comida. A sugestão de receita para acompanha-lo é um wrap de peixe-rei com vegetais assados.

Bienconvino Serie Maridaje: Pollo e Cerdo: trata-se de um branco untuoso feito de Chardonnay, onde o passo por barris de carvalho é equilibrado pela expressão frutada e o frescor destacado devido a boa acidez. Frutas amarelas maduras se mesclam com notas a baunilha e um toque amanteigado. Um branco gastronômico. A receita sugerida é peito de frango recheado com purê de cenoura e milho.

Bienconvino Serie Maridaje: Pasta & Pizza: um Malbec jovem, de estilo fresco e frutado, de aromas florais típicos do Vale do Uco mendocinos. No paladar tem bela acidez e taninos suculentos. Despretensioso, gostoso e fácil de tomar. Sugerido para acompanhar spaghetti com tomates confitados, cogumelos portobello e queijo tipo parmesão.

Bienconvino Serie Maridaje: Carnes Rojas: corte de Malbec e Cabernet Franc com passo por carvalho, é um tinto mais estruturado com taninos mais firmes e maior complexidade aromática. Notas florais, frutadas e de especiarias, destacando-se a pimenta rosa. A madeira está na medida certa. De sabor intenso e persistente, foi feito de fato para acompanhar o que a Argentina faz de melhor, carnes vermelhas. A receita sugerida são espetinhos de Ojo de Bife com batatas ao forno com bacon defumado.

A linha Bienconvino ainda não está disponível no Brasil. Os vinhos podem ser adquiridos em vinotecas em Buenos Aires. Os preços variam de 128 a 208 pesos (49 a 80 reais, pelo câmbio oficial).

 

 

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Malbec, a Argentina de criação

Em 17 de abril de 1853, foi apresentado na assembléia legislativa de Mendoza, um projeto de lei que propunha  a criação da primeira Quinta Agronômica e Escola de Agricultura do país, por incentivo do atual governante Argentino, General Sarmiento. Pouco tempo depois a Quinta e a Escola foram fundadas e  a partir de então, caminhou todo o processo pelo qual  a Malbec se enraizaria definitivamente em Mendoza e ganharia força em seu novo terreno.

Tardou quase um século e meio para que os vinhos argentinos feitos de Malbec alcançassem condições de projetar-se aos mercados mundiais, fortalecidos pelo vigor do seu novo lar.  E que a uva se firmasse como uma referencia na elaboração de vinhos tintos ao redor do mundo.

E foi justamente 17 de abril a data escolhida pelas Wines of Argentina para promover o grandioso evento Malbec World Day que, em sua quinta edição em 2015, realizará ações em mais de cinquenta países, incluindo o Brasil.

De 1853 para cá a Argentina se modernizou. E a maneira de comunicar seus vinhos também. Todos os anos a promoção do dia mundial do Malbec está sempre associada a uma expressão artística contemporânea: musica eletrônica, pinturas em grafite no mobiliário urbano e vídeo. Nesta edição, homenageia o cinema através do lançamento de três curta metragens usando a cultura do vinho como pano de fundo.

A estratégia parece estar focada em cativar o jovem consumidor de vinhos,  fazendo-o tomar gosto pelos vinhos da cepa. E têm funcionado. Não é a toa que outros países pegaram carona com a fama da uva e passaram a lançar varietais de malbec mundo afora: é o caso dos Estados Unidos, Chile, Brasil e a própria França – país cuja região Cahors, vanguardista na cultivo de malbec, há séculos atrás teve seus vinhedos praticamente dizimados pela praga da filoxera.  Hoje, Cahors toma fôlego e volta a ser valorizada pelo público.

Mas é na Argentina onde a uva encontrou seu berço adotivo. No lado oriental da cordilheira dos Andes, o clima ensolarado propicia uvas com maturação plena que originam caldos de cor violeta intensa, aromas de fruta doce, suculentos e macios no paladar. Fáceis de tomar e gostar.  O segredo do seu êxito.

Tamanha aceitação fez com que a Malbec se expandisse além das fronteiras mendocinas, abrangendo as demais regiões vitícolas do país. De norte a sul, de 300 a 3 mil metros de altitude, com condições de clima e solo diferenciadas. Isso só fez bem, pois trouxe diversidade e atualmente podemos falar em estilos de Malbec Argentino.

Para os amantes de clássico Malbec, com aromas de ameixas pretas, suculento, frutado e com taninos bem redondos, a tradicional região de Lujan de Cuyo é escolha certa. O leque de opções é amplo: de versões mais ou menos encorpadas, com longo estágio ou sem nenhum carvalho. Ainda em Mendoza, a região que mais tem crescido nos últimos anos é o Vale do Uco, aos pés da cordilheira do Andes. As maiores altitudes e amplitude térmica da região originam vinhos mais florais no aroma, com maior acidez e taninos que garantem uma guarda mais longa aos vinhos. Especialmente os Malbecs dos distritos de Gualtallary e Altamira têm colecionado medalhas e pontuações em concursos e guias especializados.

Malbec cresce em solo argento de norte a sul, de 300 a 3 mil metros de altitude

Malbec cresce em solo argento de norte a sul, de 300 a 3 mil metros de altitude

Para os que preferem um vinho com menos corpo, mais acidez e um sedutor perfume de compota de frutas do bosque a sugestão é optar pelos Malbecs da fria e ventosa Patagônia, das províncias de Neuquén e rio Negro. Já os tintos mais carnudos e maduros, com graduação alcóolica pronunciada, são facilmente encontrados nas alturas de Salta, Catamarca e Tucumán.

Para todas as ocasiões, pratos e gostos pessoais, é possível encontrar um Malbec que mais agrade. A seguir, algumas sugestões:

Carmelo Patti Malbec, Lujan de Cuyo, Mendoza (Neve Wines) – vinícola boutique de enólogo homônimo, expert em produzir vinhos de guarda. Tinto complexo, sedoso no paladar, para decantar antes de consumir.  Acompanha bem cordeiro assado.

Zorzal Terroir Único Malbec, Vale do Uco, Mendoza (Grand Cru) – malbec aromático, com notas florais e pedregosas, fruto do solo rico em calcário da região de Gualtallary. Na boca encorpado, com taninos presentes, acidez marcante e longa persistência. Pede um bife de chorizo suculento.

A Lisa Malbec, Rio Negro, Patagônia (Mistral) – malbec de vinhedos biodinâmicos, com aromas peculiares a flores e ervas. Na boca tem textura sedosa, corpo médio, bela acidez. Para um risoto de cogumelos ou bacalhau confitado.

Colomé Estate Malbec, Vales Calchaquíes, Salta (Decanter) – vinícola também privilegia manejo biodinâmico dos vinhedos e produz um malbec onde se destacam as especiarias como pimenta, frutas maduras. Enche a boca, com taninos maduros, boa acidez e persistência. Perfeito com carnes ensopadas feitas ao estilo ragú.

Manos Negras

Estive na ultima edição da Feira de Vinhos de Autor, em Buenos Aires. Considero essa a feira de vinhos mais interessante para se participar na Argentina atualmente. Vinícolas novas, projetos de pesquisa de terroir, vinhos orgânicos e novas gerações de enólogos por detrás disso tudo.

Provei muito coisa boa, os vinhos argentinos estão cada vez mais equilibrados, sem grandes doses de madeira ou demasiado alcóolicos. Parece existir uma franca preocupação em fazer vinhos que expressem o terroir de origem de ponta a ponta no país.

Gravei algumas entrevistas gentilmente cedidas por profissionais de vinícolas que aposto as minhas fichas. Um deles, é Alejandro Sejanovich, de Manos Negras. Muito em breve esses vinhos estarão disponíveis no Brasil para nosso deleite. Confira:

Mais detalhes sobre a vinícola: http://www.manosnegras.com.ar

Coelhinho da Páscoa, quero um Ovo de Cimento

Entrevista com o enólogo Juan Pablo Michelini, da Zorzal Wines, de Tupungato, Mendoza, Argentina.

Juan Pablo conta sobre a sua filosofia de trabalho, nos dá uma aula de estilos de Malbec e fala sobre a curiosa técnica de fermentar seus vinhos em tanques ovais de cimento. Confira:

Sobre a vinícola Zorzal: http://zorzalwines.com

Onde encontrar os vinhos: http://www.grandcru.com.br

As diferentes facetas do Malbec Argentino

Em parceria com a Galeria de Arte Serendipe, um novo encontro para estimular os nossos sentidos | Um diálogo entre o Vinho e a Arte | Uma experiência sensorial completa.

A Argentina, maior produtor de vinhos da América Latina, possui cerca de 200 mil hectares de vinhedos espalhados ao longo da espinha dorsal do país, a Cordilheira dos Andes.

De norte a sul, há diferenças de altitude, latitude, e condições climáticas que afetam diretamente os vinhedos e os vinhos feitos a partir deles. Portanto, não se pode falar em um único estilo de vinho argentino.

O objetivo da degustação é perceber as diferenças de vinhos elaborados a partir de uma mesma uva – Malbec – proveniente de diferentes regiões do país. Serão analisadas as influências dos distintos terroirs nos estilos dos vinhos.

Ao longo de 2 horas serão degustados as cegas Malbecs provenientes de Mendoza, Salta e da Patagônia, cuja análise sensorial será orientada pelo Sommelier Profissional Wagner Gabardo. Após a análise, os vinhos serão revelados e comentados.

5.maio.2001 as 20h00 | Galeria Serendipe: Prudente de Moraes, 1069 – Curitiba.

Investimento: R$ 65,00 | reservas ao 41.3024.2336  ou  wgabardo@gmail.com

Dia Mundial do Malbec

Próximo domingo, 17 de abril, será comemorado o Dia Mundial do Malbec, inciativa criada pelo Wines of Argentina – entidade responsável pela promoção dos vinhos argentinos mundialmente.

Durante esta semana, em diversas cidades como Buenos Aires, Lima, Tóquio e Nova York,  serão realizados eventos tendo o Malbec como protagonista. Segundo informações do site oficial, estão programadas degustações aqui no Brasil também, em São Paulo e Rio de Janeiro.

A página conta também a história da uva, originaria de Cahors, na França, e que foi trazida a Argentina, onde adaptou-se muito bem e começou a originar vinhos de qualidade. A Malbec foi responsável por lançar a fama dos vinhos argentinos ao mundo. É quase impensável uma bodega argentina que não produza vinhos feitos a base desta uva. Algumas dedicam-se exclusivamente a produção de vinhos de Malbec, em diferente apresentações: rosados, tintos jóvens, tintos de guarda, vinhos fortificados e até espumantes.

A notável adaptação da uva a diferentes terroirs do país foi, em grande parte, responsável pelo seu êxito. Ela é plantada desde a Patagônia onde há muito vento, céu nublado e solo pedregoso, passando por Mendoza, seu berço e lugar preferido até impensáveis 3200 metros de altura no norte Saltenho sob o sol ardente da cordilheira dos Andes.

Minha contribuição para celebrar esta data, é uma lista de alguns bons Malbecs que valem a pena serem provados:

Espumante Rosado de Malbec, super fresco e fácil de tomar:

Animal de Ernesto Catena Vineyards

Rosado fresco, ótima acidez, carta na manga na hora de harmonizações mais difíceis:

L’Argentin du Malartic 2010, de Diamandes

Malbecs jovens, frutados, descomplicados, pedem mais uma taça na certa. Vinhos francos! (aqui a lista poderia ser infiinita, mas vou sugerir 3 disponiveis no Brasil e que fujam das escolhas tradicionais):

Punto Final 2009, de Renacer

Alfredo Roca 2009, de Alfredo Roca

Ave Premium 2009, de Ave wines

Malbecs estruturados, complexos, que pedem um bom jantar para tomá-los:

Altavista Alizarine 2007, de Altavista

Colome Estate 2007, de Colomé

Lindaflor 2007, de Monteviejo

Pulenta Estate I 2008, de Pulenta Estate

Malbecs elegantes, sedosos, grandes vinhos para guardar:

Martino Gran Reserva 2003, de Martino

Doña Paula Selección de Bodega 2006, de Doña Paula Estate

Mendel Finca Remota 2007, de Mendel Wines

Tapiz Black Tears 2006, de Tapiz

Doña Silvina Reserva 2006, de Kontriras

Malbec doce, fortificado, ideal para sobremesas com chocolate:

Malamando, de Familia Zuccardi

e a lista poderia continuar… fiquei com água na boca!

Para a história da Malbec em português, clique aqui.