Cognac, Brandy ou Grappa?

Destilados vínicos são tradicionalmente elaborados por vários países vitícolas europeus. O mais famoso deles é o Cognac, produzido na região de Charentes, ao norte de Bordeaux. Trata-se de uma denominação de origem onde a região de cultivo e os processos de destilação e envelhecimento são regulamentados.

Esta situação se aplica a outros brandys – nome genérico que designa os destilados obtidos a partir de uvas e seus subprodutos – que possuem estilos e qualidades diversos.

A matéria prima usada na destilação seria o primeiro divisor de águas. Brandys podem ser feitos a partir de vinho ou de um fermentados do bagaço das uvas.

Aqueles feitos a partir de vinho, costumam ter como base uvas produtivas e resistentes que originam vinhos de aromas e sabores mais neutros, alta acidez e baixa graduação alcóolica. Ë o caso da Ugni Blanc, usada na elaboração do Cognac e Armagnac franceses, que na Itália é conhecida como Trebbiano e em Portugal é chamada de Tália e origina, junto a outras castas brancas, a Lourinhã – única DOP portuguesa exclusiva de elaboração de aguardentes vínicas. O mesmo acontece na Espanha, onde a Airén – uva branca mais plantada no país é destinada sobretudo a elaboração dos Brandys de Jerez.

Ugni Blanc ou Trebbiano, uva base de muitos "Brandys" ou destilados de vinho

Ugni Blanc ou Trebbiano, uva base de muitos “Brandys” ou destilados de vinho

A América do Sul também produz um famoso brandy cuja origem é disputada pelos vizinhos andinos Peru e Chile. Trata-se do Pisco, destilado feito a partir de uvas locais como Italia, Moscatel e Quebranta cultivadas nos vales costeiros do centro-sul peruano, com destaque para vale do Ica onde se encontra a cidade de Pisco, e nos regiões nortenhas chilenas de Coquimbo e Atacama.

É possível também fermentar os resíduos da uva – como as cascas e o engaço do cacho – e posteriormente destilar obtendo assim um brandy a partir do bagaço, também muito populares no velho continente. O mais conhecido deles é a Grappa italiana, reproduzida no Brasil por diversas vinícolas, batizada localmente de Graspa pelos imigrantes. O bagaço utilizado costuma ser de qualquer uva que se tenha a disposição. Em Portugal o nome é sugestivo: Bagaceira, produzidos de norte a sul do país. Já na Espanha são chamados de Orujo e na França, Marc.

Outra diferença entre os brandys incide na etapa posterior a destilação, o envelhecimento do aguardente. Alguns são envelhecidos – por determinação da denominação – outros não ou em caráter opcional. Os Cognacs devem obrigatoriamente envelhecer o mínimo de dois anos em barricas francesas e o tempo vem especificado no rótulo: *** ou VS para os mais jovens, VSOP para os intermediários e XO para os mais antigos. A mesma classificação é usada nos Armagnacs, produzidos no sudoeste francês, mas nesta região o envelhecimento é opcional, sendo também engarrafados brandys claros. Os brandys de Jerez devem respeitar o envelhecimento mínimo de um ano e conforme o tempo, receberão as designações Solera, Solera Reserva ou Gran Reserva. Os Piscos por sua vez, em sua maioria não são envelhecidos já que buscam expressar os aromas das uvas de origem, que costuma ser mais exuberantes. Porém há excelentes opções envelhecidas disponíveis. Grappas e Bagaceiras podem ou não ser envelhecidas. Fica a critério de cada produtor.

Esquentar o Cognac antes de beber é falso mito. Muito melhor aprecia-lo com gelo.

Esquentar o Cognac antes de beber é falso mito. Muito melhor aprecia-lo com gelo.

É importante mencionar que não necessariamente a cor do destilado está relacionado a sua qualidade ou tempo de envelhecimento, já que na maioria dos casos, inclusive nos famosos Cognacs, é permitida a adição de caramelo para reforçar a cor, a doçura e a redondeza do destilado no paladar.

Na hora de consumir, tabus devem ser derrubados. Esquentar o Cognac antes de beber é um deles. Ao aquecer a bebida estamos contribuindo para evidenciar o álcool. Devemos fazer justamente o contrário: esfriá-la ne geladeira ou servir com algumas pedras de gelo. Isso não compromete a qualidade do destilado e sim, permite perceber mais aromas e sabores durante a degustação.

brandys

Cognac Courvoisier (FRA), Aguardente vínica Macieira (POR) e Grappa Fardo (BRA)

Brandys claros são bons aperitivos, abrindo o apetite antes da refeição. Ao escolher o que acompanhar prefira castanhas, nozes, frutas passas, queijos maduros, embutidos e defumados. Os brandys mais amadeirados costumam ser parceiros ideais de trufas de chocolate, doces de nozes e de um bom charuto após o jantar.

A seguir alguns brandys imperdíveis disponíveis no mercado brasileiro:

Fernando de Castilla Solera Reserva, Brandy de Jerez, Espanha.

Casa d’Aveleda Adega Velha, Aguardente vínica, Portugal.

Família Fardo Grappa 36, Brasil.

Delord Bas Armagnac XO, França.

Pisco Control Tridestilado, Chile.

Pisco peruano, pues!

Não apenas vinho podemos elaborar a partir de uvas. Uma série de destilados da uva e do seu bagaço são feitos ao redor do mundo. Um dos mais populares é a Grappa italiana, obtida através da destilação de tudo o que resta do cacho da uva e as suas cascas. Os vizinho europeus também tem o mesmo costume e batizaram seus destilados com nomes diferentes: Orujo (Espanha) e Bagaceira (Portugal) são bons exemplos.

Alguns destilados são obtidos a partir do mosto fermentado de uvas, sendo o Cognac o mais famoso deles. A coloração âmbar da bebida vem do seu envelhecimento em barris de carvalho por vários anos.

Já na America do Sul, o exemplo mais expressivo deste tipo de bebida é o Pisco, cujas origens remontam ao Vale do Ica Peruano. A produção de uvas e de Pisco se estende pelo sul deste país e a cruza fronteira seguindo pelo norte Chileno. O Chile, país comerciante e exportador por excelência, acabou levando a fama deste aguardente. No entanto, é no Peru onde o Pisco é patrimônio nacional, parte da história e da cultura do povo.

Visitamos em Lima uma tradicional taberna pisqueira, onde aprendemos duas receitas de coquetéis a base de Pisco, confira: