Sobre tampas e rolhas…

Foram usadas cerca de 300 mil rolhas na confecção do mosaico.

Como se pode perceber, hoje em dia, muitos vinhos que consumimos têm usado outras alternativas ao tradicional tapado das garrafas, a rolha de cortiça. Rolhas sintéticas e tampas-rosca, amplamente difundidas na industria vinícola de muitos países como Austrália e Nova Zelândia, apenas há pouco tempo começaram a ser utilizadas por aqui.

A questão é, essenciamente, de gosto do consumidor. Para o grande volumem dos vinhos produzidos e comercializados no mundo, a qualidade não se vê afetada em nada se usamos rolha tradicional, de aglomerado, sintético, ou até mesmo se o vinho for vendido (ao extremo) em latinha ou em caixas tetrapack.

Como acontece com os barris de carvalho, com as rolhas naturais mais uma vez dependemos de uma indústria de monopólio europeu. O Alcornoque, que precisa de ao menos 30 anos para desenvolver a cortiça usada no feitio das rolhas e outros 10 anos para renová-la, é uma árvore que cresce na região do mediterrâneo cujo principal produtor é Portugal. Ou seja, um produto em euros influi bastante no custo final de um vinho argentino, por exemplo. Se a rolha fosse parte de fórmula secreta que melhorasse qualquer vinho no mundo valeria a pena investir. Mas como não é o caso, quebremos tabus de consumo:

– Vinho de Tampa Rosca é de menor qualidade. Mentira. Até que se prove não se pode fazer nenhum tipo de julgamento. Notem a grande quantidade de brancos, para consumo jovem, com tampa rosca. E pensem na praticidade de levar uma dessas garrafas a um piquenique,  a praia e não precisar de abridor. Afinal, quem nunca passou pelo aperto de ter uma garrafa e não dispor dos meios adequados para abrí-la?

– Vinho bom mesmo não vem com rolha sintética. Mentira. Para baixar os custos de produção, muitas vinícolas estão apostando nesse material em linhas de vinhos médias e mais premium inclusive. Inclusive a rolha sintética pode impedir certas contaminações que se transmitem pela cortiça.

As rolhas tradicionais nunca vão desaparecer e são importantes a longo prazo para o envelhecimento de vinhos de guarda já que permitem um mínimo intercambio do vinho com o ar externo, o que permitirá a evolução da bebida. Ainda assim, no caso de grandes vinhos que duram décadas, devem ser substuídas depois de um tempo (variável) para que não se desfaçam e turvem o vinho.

Como o consumidor ainda asssocia a qualidade ao tipo de tampa, ainda vai demorar para que muitos vinhos deixem de usar rolhas tradicionais, mesmo as de aglomerado.

Portanto, após abrir sua garrafa predileta, ao invés de jogar no lixo um material que custou tantos anos a uma árvore produzi-lo, invente, recicle: