Quanto mais velho, melhor?

Vinho não tem prazo de vencimento. Não tem mesmo?

Salvo alguns vinhos do Porto, Madeira, Sauternes e Tokaji húngaros, que podem durar por muitas décadas – até um século – geralmente a bebida pode passar da “validade”.

Nem todo vinho foi feito para guardar ou vai ganhar complexidade repousando na adega climatizada. Inclusive vinhos seculares que são leiolados por milhares de euros são puro objeto de coleção. É pouco provável que um grande Chateau da safra excepcional de…1891(!) ainda esteja bom para tomar.

O grande volumem de vinhos comercializados pelo mundo afora foi feito pra ser consumido jovem, mantendo a sua fruta e frescor. Isso segue a tendência do crescente público consumidor que prefere vinhos fáceis de tomar, com preços acessíveis e rótulos atrativos.

Quando pensamos no Novo Mundo vinícola, onde ainda são poucas as bodegas de tradição e consagradas pelo público, muitas vezes para tornar-se conhecido é preciso ocupar muitas prateleiras nas vinotecas e supermercados. Me lembro bem da fala de um enólogo Mendocino durante uma palestra: “Para uma vinícola se dar ao luxo de fazer vinhos de alta agama, ela tem que vender muito vinho barato no supermercado”. E estes não foram feitos pra durar muito, não…

No velho mundo isso também é comum: vinhos como o Beaujolais Nouveau Francês, Vinho Verde Português, Albariño Espanhol ou  Lambrusco Italiano são vinhos pra serem consumidos 1, máximo 2 anos depois de prontos.

Faz mal tomar depois? Não, porém o vinho vai estar longe de ser tão bom quanto se você tivesse provado antes. E aumentam as chances de que ele esteja oxidado.

Como o vinho do dia-a-dia é algo que não estamos necessariamente dispostos a gastar muito, vale a pena estar atento na hora de escolher.

De repente você se depara com uma super promoção de Sauvignon Blanc 2006 do Chile ou um Torrontes Argentino de 2005, um Beaujolais 2004, ou até aquele que nem o ano da safra você encontrou no rótulo. Devo comprar? Honestamente não. Isso se chama “desova de vinho velho”.

Tal prática não é exclusiva de supermercados, mas também de vinotecas, onde se supõe que o assunto é levado mais a sério. É surpreendente a defasagem de safras atuais de muitos vinhos aqui no Brasil, principalmente os brancos.

O mercado consumidor de vinhos brasileiro ao mesmo tempo que é bem explorado – pelo poder aquisitivo das elites, chegam aqui os vinhos mais icônicos e caros do mundo – é também bastante subestimado, ja que se vendem por aí muitos vinhos que servem só pra cozinhar, pensando que o brasileiro não vai se dar conta…

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