Das alturas de Santa Catarina

Há pouco mais de dez anos se plantavam os primeiros vinhedos na região serrana de Santa Catarina, até então conhecida pelos seus invernos rigorosos e pela produção de maçãs.

A partir de estudos desenvolvidos pelo instituto de pesquisa do estado, a EPAGRI, constatou-se que existia o potencial para o cultivo de variedades viníferas destinadas a produção de vinhos finos.

De lá pra cá, muito se experimentou e, entre erros e acertos, diversas vinícolas foram surgindo e engarrafando seus vinhos para o mercado.

Uma associação foi fundada, a ACAVITIS, visando fortalecer a imagem da região como produtora de vinhos no cenário nacional e como destino de enoturismo.

O resultado pode ser visto taça e, atualmente, o Planalto Catarinense se firma como produtor de Sauvignon Blancs de qualidade, tintos, roses e espumantes feitos a partir do tradicional corte de cabernet/merlot e o plantio e vinificação de variedades de origem italiana, lideradas pelo êxito da sangiovese.

As seguir, as palavras dos precursores da região, que a viram crescer e que hoje colhem os frutos de um projeto certeiro :

 

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South American Way

O brasileiro parece estar perdendo cada vez mais o preconceito com o produto nacional. No que diz respeito aos vinhos, os espumantes estão liderando esse movimento. O melhor disso tudo é que o espumoso que nos estamos tomando é de qualidade e tem bom preço. Cada vez mais as pessoas estão propensas optar pelo vinho com bolhas tupiniquim para o brinde na ocasião especial.

O espumante brasileiro não tem nada a perder na disputa com produtos similares importados. Há um bom tempo descobrimos que vale muito mais a pena comprar dois moscatéis frescos e gostosos a preço de um Asti italiano.

Inclusive o mercado estrangeiro já se deu conta disso. Nossos espumantes são frequentemente bem pontuados em concursos internacionais e estão caindo no gosto dos yankees. A vinícola Aurora está apostando no mercado norte americano com a sua linha de espumantes Carnaval Sparkling e o espumante premium 130 da Casa Valduga será em breve distribuído por uma das maiores empresas de comércio de bebidas dos Estados Unidos.

O interessante da produção de espumantes daqui – e dos vinhos como um todo – é a inovação e a experimentação. Poderia se dizer que desenvolvemos espumantes de todos os métodos – charmat, tradicional, asti – usando não apenas as uvas clássicas de Champagne como manda o roteiro, mas experimentado outras que eu ao menos não imaginaria na composição desta festiva bebida.

Não apenas de Chardonnay e Pinot Noir é feito um vinho com bolhas.

maestrale sanjoQuem diria que a Cabernet Sauvignon, conhecida por ser encorpada e tânica, daria origem a espumantes frescos e delicados?

Na Serra Catarinense, a rainha das uvas tintas parece ter encontrado seu lugar, servindo de base a espumantes brancos e rosados, em atuação solo ou misturada com Merlot e Chardonnay.

É o caso dos espumantes da vinícola Pericó que possui um amplo leque de opções, a maioria elaborada pelo método charmat, em versões brancas e rosadas, brut e demi sec feitas a base de cortes de Cabernet, Merlot e Chardonnay. Outros bons exemplos são a vinícola Suzin que produz um espumante rosé charmat com Cabernet Sauvingon que pode vir misturado com Merlot segundo a safra; e a Coopertiva Sanjo, que possui o Maestrale, um rosé feito 100% de Cabernet Sauvignon.

Villa Francioni, da mesma região, ousa ainda mais e faz quase um Chateneuf-du-pape em sua versão espumosa, dada a quantidade de uvas usadas no corte do seu blanc de noir, batizado JoaquimSyrah, Pinot Noir e Sangiovese com pequenas doses de Malbec e Petit Verdot. Acha pouco?

Descendo a serra e chegando ao Vale dos Vinhedos, já no Rio Grande do Sul, a Chandon do Brasil, a filial tropical do grupo Moet Hennessy, agrega Riesling Itálico `a mistura clássica de Pinot Noir e Chardonnay em vários de seus espumantes e aposta na aromáticas Malvasia e Moscatel para a elaboração do seu rose demi-sec Passion.

Outra vinícola da região que graças a qualidade do seus vinhos ganhou espaço em cartas de vinhos de prestigiosos restaurante ao redor do Brasil é a Cave Geisse. Comandada pelo enólogo chileno Mario Geisse, produz espumantes pelo método tradicional e não tem pressa em soltar as garrafas no mercado. Deixa seus vinhos amadurecendo nas cavas no mínimo por 18 meses.

Algumas vinícolas menores da região que produzem espumantes a um ótimo custo beneficio são a Pizzato que também trabalha com as variedades clássicas e produz duas linhas de espumantes, Fausto charmat e Pizzato champenoise; e a Vallontano que este ano lançou o LH Zanini, champenoise, de produção de apenas 2500 garrafas.

guatambuJá no extremo sul do Brasil, na Campanha Gaúcha, a vinícola Guatambu produz fresquíssimos espumantes a partir de cortes de Chardonnay e Sauvignon Blanc, com acidez e leveza que fazem uma garrafa terminar desapercebida.

A realidade brasileira é diversa, são vinícolas de vários portes, algumas produzem milhões de litros anuais, outras com capacidade muito mais modesta. Umas apostando nas variedades clássicas enquanto outras provam com uvas novas. A lista de vinícolas do sul do Brasil que produzem bons espumantes poderia se estender, mas preferimos deixar espaço para opiniões de especialistas no assunto. Pedimos que nos contassem quais seus espumantes prediletos:

Avelino Zanetti Filho (Enólogo e Professor do Centro Europeu):, Casa Valduga Maria Valduga, Estrelas do Brasil Brut, Valmarino & Churchil Extra Brut, Salton Gerações Nature, Maxino Boschi Speciale Extra Brut.

Fabio Marquart (Sommelier do Gardeno): Gran Legado Brut Champenoise, Guatambu Extra Brut, Dunamis Ar Brut, Cave Geisse Brut.

William Chipon (Proprietário do Empório 4 Estações): Suzin Brut Rose, Cave Pericó Champenoise, Adolfo Lona Nature, Cave Geisse Nature.

ValmarinoCh extra brut

Cabernets e São Joaquim

A Cabernet Sauvignon parece gostar do clima e do solo de São Joaquim.

Nesta degustação, realizada no Lys Bistro em Curitiba, tivemos a oportunidade de provar dois vinhos feitos partir desta uva, provenientes da Serra Catarinense.

O primeiro, da Vinícola Suzin, revelou ser um vinho suculento, redondo em boca e bem equilibrado. Daqueles que faz salivar bastante e dá vontade de tomar outro gole em seguida.

O segundo, da Cooperativa Sanjo, encorpado e de taninos firmes, mostrou-se jovem e ainda ter muitos anos pela frente. Um Cabernet que pede um bom prato de cordeiro ou javali para ser disfrutado.

Ambos os vinhos com a dose de madeira na medida certa e de estilos bem diferentes.

Confira como foi a prova destes deliciosos caldos no vídeo a seguir:

Agradecimentos: Lys Bistro e  D.O.C. Vinhos

Onde encontrar: http://www.emporio4estacoes.com.br/

Em breve, mais vídeos e novas degustações!

Serra Catarinense

A próxima vez que você for a São Joaquim na esperança de ver neve cair algum dia e ela nunca chegar, não fique frustado. O melhor passa-tempo para não passar frio é tomar vinho.

Assim como o interior do Paraná, a Serra Catarinene também produz vinhos! Surpreendente não?

Hoje em dia, a produção de vinhos finos no Brasil não se limita apenas ao Vale dos Vinhedos no Rio Grande do Sul. Nos últimos anos, novas regiões vinícolas têm lançado vinhos de excelente qualidade. Vinhos que, as cegas, poderiam ser confundidos facilmente com um bom rótulo sulamericano ou europeu.

São Joaquim, junto com Caçador e Campos Novos, constituem as principais regiões onde são plantados os vinhedos mais altos do país. A altidude, aliado a temperaturas amenas e chuvas na época certa, fazem da famosa região serrana mais fria do país um ótimo terroir para produção de uvas viníferas de qualidade.

Lá se produz de tudo: espumantes, brancos, tintos, rosados, e até vinhos doces inspirados no famoso Sauternes (como o botritizado da Villa Francioni)  e Icewine (da vinícola Pericó) que, até então, só dava certo em países de inverno rigoroso como Canadá e Alemanha.

O perfil dos produtores é bastante eclético. A região conta com a  cooperativa SANJO (conhecida pela produção de maçãs), pequenos e engajados produtores como Suzin e Villagio Basseti, e até o majestoso e caro projeto vitivinícola da Villla Francioni. Diferentes na sua estrutura, mas com um objetivo em comum: produzir bons vinhos e afirmar o nome da região num mercado brasileiro tão dominado por produtos importados.

Durante a visita que fiz a estas terras, me chamou a atenção a (re)valorização dos vinhos rosados, muitas vezes menosprezados. Bem feitos, desprentenciosos, como o da Villagio Bassetti, são vinhos super frescos, fáceis de tomar, com estilo inspirado nos rosés franceses da Provence.

Outra tendência observada foi a produção de Chardonnays equilibrados e, o mais importante, DESamadeirados, realçando a fruta e o frescor, como os brancos da Abreu Garcia e Monte Agudo.

Com respeito aos tintos, os produtores tem se inclinado a fazer vinhos a maneira de Bordeaux – em sua maioria cortes de cabernet sauvignon e merlot – saborosos, concentrados, com potencial de guarda e que pedem um bom jantar para acompanhar.

Ficou com vontade de provar?

Em breve estarei postando videos de degustação destes vinhos, assim como dicas de onde encontrá-los!

Aguarde…

Veja também:

ACAVITIS – Associação Catarinense dos Produtores de Vinhos Finos de Altitude: http://www.acavitis.com.br/