Das alturas de Santa Catarina

Há pouco mais de dez anos se plantavam os primeiros vinhedos na região serrana de Santa Catarina, até então conhecida pelos seus invernos rigorosos e pela produção de maçãs.

A partir de estudos desenvolvidos pelo instituto de pesquisa do estado, a EPAGRI, constatou-se que existia o potencial para o cultivo de variedades viníferas destinadas a produção de vinhos finos.

De lá pra cá, muito se experimentou e, entre erros e acertos, diversas vinícolas foram surgindo e engarrafando seus vinhos para o mercado.

Uma associação foi fundada, a ACAVITIS, visando fortalecer a imagem da região como produtora de vinhos no cenário nacional e como destino de enoturismo.

O resultado pode ser visto taça e, atualmente, o Planalto Catarinense se firma como produtor de Sauvignon Blancs de qualidade, tintos, roses e espumantes feitos a partir do tradicional corte de cabernet/merlot e o plantio e vinificação de variedades de origem italiana, lideradas pelo êxito da sangiovese.

As seguir, as palavras dos precursores da região, que a viram crescer e que hoje colhem os frutos de um projeto certeiro :

 

Serra Catarinense

A próxima vez que você for a São Joaquim na esperança de ver neve cair algum dia e ela nunca chegar, não fique frustado. O melhor passa-tempo para não passar frio é tomar vinho.

Assim como o interior do Paraná, a Serra Catarinene também produz vinhos! Surpreendente não?

Hoje em dia, a produção de vinhos finos no Brasil não se limita apenas ao Vale dos Vinhedos no Rio Grande do Sul. Nos últimos anos, novas regiões vinícolas têm lançado vinhos de excelente qualidade. Vinhos que, as cegas, poderiam ser confundidos facilmente com um bom rótulo sulamericano ou europeu.

São Joaquim, junto com Caçador e Campos Novos, constituem as principais regiões onde são plantados os vinhedos mais altos do país. A altidude, aliado a temperaturas amenas e chuvas na época certa, fazem da famosa região serrana mais fria do país um ótimo terroir para produção de uvas viníferas de qualidade.

Lá se produz de tudo: espumantes, brancos, tintos, rosados, e até vinhos doces inspirados no famoso Sauternes (como o botritizado da Villa Francioni)  e Icewine (da vinícola Pericó) que, até então, só dava certo em países de inverno rigoroso como Canadá e Alemanha.

O perfil dos produtores é bastante eclético. A região conta com a  cooperativa SANJO (conhecida pela produção de maçãs), pequenos e engajados produtores como Suzin e Villagio Basseti, e até o majestoso e caro projeto vitivinícola da Villla Francioni. Diferentes na sua estrutura, mas com um objetivo em comum: produzir bons vinhos e afirmar o nome da região num mercado brasileiro tão dominado por produtos importados.

Durante a visita que fiz a estas terras, me chamou a atenção a (re)valorização dos vinhos rosados, muitas vezes menosprezados. Bem feitos, desprentenciosos, como o da Villagio Bassetti, são vinhos super frescos, fáceis de tomar, com estilo inspirado nos rosés franceses da Provence.

Outra tendência observada foi a produção de Chardonnays equilibrados e, o mais importante, DESamadeirados, realçando a fruta e o frescor, como os brancos da Abreu Garcia e Monte Agudo.

Com respeito aos tintos, os produtores tem se inclinado a fazer vinhos a maneira de Bordeaux – em sua maioria cortes de cabernet sauvignon e merlot – saborosos, concentrados, com potencial de guarda e que pedem um bom jantar para acompanhar.

Ficou com vontade de provar?

Em breve estarei postando videos de degustação destes vinhos, assim como dicas de onde encontrá-los!

Aguarde…

Veja também:

ACAVITIS – Associação Catarinense dos Produtores de Vinhos Finos de Altitude: http://www.acavitis.com.br/