Interpretando rótulos (parte I)

É comum quando vamos comprar vinhos ter dúvidas ao interpretar os rótulos das garrafas. Acostumados a encontrar o nome da uva impresso, como na maioria dos vinhos do Novo Mundo, ao comprar vinhos da França, Espanha e Italia ficamos pendentes de buscar essa informação – que parece tão essencial – mas que na maioria das vezes não está lá.

A diferença é que tradicionalmente nestes países europeus, o que importa mais é a região onde o vinho foi produzido e isso serve de indicativo da qualidade e estilo do mesmo. Ou seja, eles buscaram zonas, climas e solos – o famoso “terroir” – mais propícios ao desenvolvimento de cada variedade e se tornaram reconhecidos por isso.

Ao invés de Pinot Noir e Chardonnay franceses, Tempranillo espanhol ou Sangiovese italiano, encontraremos Bourgogne, Chablis, Rioja e Chianti. Essas são regiões reconhecidas pela produção de vinhos de qualidade das respectivas uvas citadas acima e que distinguem, através de uma “Denominação de Origem” a procedência e a qualidade do vinho comercializado.

Funciona assim: para que um vinho possa ser chamado de Rioja, quase sempre será feito a base da uva tinta Tempranillo (que ocupa cerca de 85% dos vinhedos da região) e deve atender aos parâmetros mínimos de qualidade estabelecidos por um conselho regulador que acompanha o processo produtivo do vinho, degusta e autoriza ou não o vinho levar Denominácion de Origen Calificada Rioja no rótulo.

E mais, em muitos Rioja aparecem os termos Crianza, Reserva e Gran Reserva, o que implica o tempo mínimo de envelhecimento do vinho em barris de carvalho – regra determinada pelo mesmo conselho regulador. Por exemplo, um Rioja Crianza tem um repouso de mínimo de 2 anos entre barril e garrafa; já o Reserva precisa de mínimo 1 ano em barril mais 1 ano em garrafa; e o Gran Reserva precisa envelhecer 2 anos em barril e 1 ano em garrafa.

A utilidade disso? Justifica o preço dos vinhos e serve de parâmetro de intensidade/concentração da bebida. E por simples matemática, nos ajuda a entender que é impossivel existir no mercado um Gran Reserva 2008…

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